
Um tráfego desconhecido é monitorado pelos radares do sistema de Defesa Aérea do Brasil, voando no extremo sul do país, rumo ao Uruguay. Ao perceber a movimentação, os operadores do sistema de defesa brasileiro, informam aos seus pares do país vizinho sobre a movimentação suspeita.
As 14:30 UTC os radares do Sistema de Defesa Aérea em Montevidéo captam o "alvo" invadindo o espaço aéreo uruguaio, próximo a a cidade de Treinta y Tres. Ao identificar e plotar sua posição, os controladores efetuam tentativas de contato via rádio, sem sucesso. Alguns minutos após é acionado o sistema de alerta da Base Aérea Teniente 2º Mario W. Parallada, em Durazno, a 180 quilômetros ao norte da capital uruguaia.
Em pouco tempo dois IA-58 "Pucará" do Escuadrón Aéreo N°1 (Ataque) rumam em direção ao alvo, afim de intercepta-lo. Seguindo as orientações da controladora, a esquadrilha "Tigre Uno" obtem contato visual com o alvo, trinta minutos após este ingressar em território uruguaio.
O líder da esquadrilha se posiciona a esquerda do avião, um Cessna C-98A "Caravan", para não ser visto pelos pilotos. Seu ala toma posição de observador na retaguarda do alvo. Através do VHF o líder " Tigre 1 " comunica ao "Algoz" (código rádio da defesa aérea uruguaia) as características da aeronave, como modelo, cores, marcas, etc. Após identificar e fotografar, o piloto do Pucará posiciona sua aeronave ao lado do alvo, para que o piloto invasor o veja. O navegador uruguaio mostrar uma placa com uma frequencia de rádio para contato, que é compreendido pelo invasor, que balança as asas informando que está ciente. Ao sintonizar o VHF, ouve-se:
" Aeronave matrícula 2735, informo que você foi interceptado pela a Força Aérea Uruguaia e seu voo internacional não está autorizado. Você deverá pousar no aeródromo de Durazno. "
Daí em diante a esquadrilha " Tigre Uno " acompanha o Cessna C-98B da Força Aérea Brasileira, prefixo 2735, até seu pouso na Base Aérea em Durazno, para que seus tripulantes, documentação e carga sejam averiguados.
A descrição acima é o resumo de uma missão realizada durante o Exercício URUBRA I, realizada entre os dias 25 e 29 de abril de 2011 nas Bases Aéreas de Santa Maria (Brasil) e Durazno (Uruguai). Centenas de militares e dezenas de aeronaves são envolvidos na primeira operação cojunta entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Força Aérea Uruguaia (FAU) para aprimoramento da proteção da região de fronteira.
A Operação URUBRA simula a entrada de aeronaves irregulares no espaço aéreo controlado no Brasil e Uruguai, com objetivo de treinar procedimentos entre os Órgãos de Defesa Aérea de ambos países, a fim de maximizar a eficiência no combate aos voos ilícitos que eventualmente possam ocorrer na região.
Durante o exercício, diariamente aeronaves da FAB e da FAU decolavam de seus países de origem, com a missão de invadir e testar o defesa aérea do país vizinho. Para essas missões foram utilizadas aeronaves "alvo", aeronaves de interceptação, e aeronaves de apoio.




Durante a visita a Base Aérea de Durazno, foram observadas as seguintes aeronaves:
IA-58 "Pucará"
FAU 220 / 222 / 223 (Operacionais)
FAU 227 / 224 (hangarados)
+ diversas asas, hélices e fuselagens dentro do hangar.
A-37 "Dragonfly"
FAU 280 / 285 (operacionais)
FAU 273 / 278 / 282 / 277 / 281 / 279 (hangarados)
+ diversas partes dentro do hangar.
H-1H
FAU 054 (alerta SAR)
U-206H
FAU 713 (aeronave "alvo")
Chamou a atenção as aeronaves preservadas na entrada principal da base: T-33 FAU 202, F-80 FAU 210, T-34 FAU 685, Cessna U-17 FAU 755. Outros três T-33 sem marcas estão estocados ao lado da estação dos bombeiros.
Mais informações e detalhes sobre a URUBRA I, acesse o site oficial da operação: www.urubra.aer.mil.br
O Site AeroEntusiasta agradece a Força Aérea Brasileira e a Força Aérea Uruguaia pela oportunidade de observar in loco, o alto grau de adestramento e capacidade dos seus militares.