
Texto e fotos: Fábio Luís Fonseca - Site AeroEntusiasta
Situada a aproximadamente 2.200 km de Santiago (Capital Federal), a bela cidade de Punta Arenas é a capital da Província de Magalhães e da XII Região Antártica, no extremo sul do Chile. Espraiada as margens do Estreito de Magalhães, que interliga os oceanos Atlântico e Pacífico, tem aproximadamente 150.000 habitantes, e possui uma forte atividade portuária, turística, industrial e é a última grande cidade continental da América do Sul.
O clima é influenciado diretamente pelas massas polares e correntes marítimas provenientes do Continente Antártico, distante a aproximadamente 1.200 km ao sul. Chuvas e fortes nevascas marcam o rigoroso inverno da cidade, enquanto o verão se caracteriza por um clima mais ameno, porém longe do calor tropical. Uma característica marcante da região patagônica, é a presença diária de ventos (por vezes fortes), que deixam a sensação térmica abaixo dos valores indicados nos termômetros.
A Patagônia é uma região de muitas belezas naturais, e as cidades costumam receber grande fluxo turístico, e Punta Arenas está preparada para acolher os visitantes. É uma cidade organizada, com um povo educado, baixos índices de violência, ruas limpa, prédios históricos bem conservados, praças impecáveis, e conta com uma boa infra-estrutura hoteleira e gastronômica.
Uma das portas de entrada é o Aeroporto Internacional Presidente Carlos Ibanez del Campo (SCCI) que está situado a 20 km do centro da cidade. A infra-estrutura do aeroporto é compartilhada com a Base Aérea de Chabunco da Força Aerea Chilena (FACh), além de um destacamento da Armada do Chile (Marinha). Por tratar-se de uma área militar, logo na chegada o visitante é informado que fazer fotografia dos aviões no pátio é expressamente proibido, e a explicação é porque alguns hangares militares estão situados em frente ao prédio do aeroporto. Essa proibição é massivamente relembrada nas cercas que envolvem o perímetro de aeroporto, onde estão fixadas dezenas de placas com os dizeres: "Expressamente proibido fotografia - área militar".
Na região conhecida como “onde o vento faz a curva", o aeroporto foi projetado para as condições de ventos constantes e direções variáveis, possuindo três pistas: 12-30 (2400 m x 45 m), 07-25 (2790 m x 45 m) e 01-19 (1677 m x 45 m). As aproximações geralmente são realizadas sobre o Estreito de Magalhães utilizando as pistas 25 e 30, mas como o vento varia muito (de intensidade de direção), existem procedimentos previstos para todas as cabeceiras, é claro. As descidas devem ser realizadas com muita atenção, seguindo fielmente o perfil traçado pelas cartas, porque existem grandes elevações no entorno, que combinado com os fortes ventos diminuem a margem para erros de aproximação. Outra preocupação são os bandos de aves costeiras na aproximação final, atraídas pela farta disponibilidade de alimentação e refúgio oferecido pelos lagos e pelo estreito. Existe até uma carta aeronáutica mostrando as áreas mais críticas no entorno das cabeceiras.
A construção do terminal de passageiros tem uma curiosa cobertura arredondada, para não oferecer muita resistência aos fortes ventos e evitar o acúmulo excessivo de neve. Internamente o prédio é moderno, bem iluminado, não possui terraço panorâmico (claro!) e está dividido em dois pisos, sendo o desembarque realizado no térreo e o embarque no mezanino. O acesso as aeronaves é feito através de 03 fingers, que raramente estão ocupados simultaneamente.
No desembarque o controle sanitário do governo chileno revista as malas e bagagens de mãos, em busca de alimentos perecíveis (frutas), o que é proibido ingressar na Patagônia.
A aviação regional e geral é atendida através do pátio auxiliar, no lado esquerdo contíguo ao pátio principal, que também serve a aviação militar e aos visitantes estrangeiros, como os C-130 da Força Aérea Brasileira durante as operações antárticas. A Armada de Chile tem um pequeno hangar e um pátio para aeronaves de pequeno porte (como o EMB-111 e Casa 212). A mesma taxiway que a Armada utiliza serve para o acesso ao hangar da Aerovias DAP.
O pátio militar da Base Aérea de Chabunco (FACh) fica no setor leste do sítio aeroportuário, próximo a cabeceira 25, e totalmente fora do campo de visão de quem está no terminal civil. Ali fica uma das mais protegidas instalações militares da FACh, estratégica em tempos de conflitos, como o ocorrido com a Argentina em disputa pela região da Terra do Fogo. Chama a atenção os hangares camuflados em estilo “bunker”, espalhados por toda a área do aeródromo. Atualmente um esquadrão de clássicos Cessna A-37 “Dragonfly” está sediado em Chabunco, e é comum vê-los fazendo procedimentos, porém a impossibilidade de fotografá-los sem prévia autorização, é muito frustrante para um Aeroentusiasta!
Operam regularmente em Punta Arenas as companhias LAN CHILE (A318, A319 e A320), SKY AIRLINES (B737-200) e mais recentemente a uruguaia PLUNA (CRJ-900) que interliga Montevidéo a Punta Arenas, via Santiago.
A aviação regional se resume na empresa regional AEROVIAS DAP com mais de 20 anos de operações aéreas na região e continente antártico. Sua frota é constituída por um Cessna 402 (CC-CLV), um DHC-6 (CC-CHV) e um do BAe-146 (CC-CZP) utilizado para voos fretados até a Antártida. O Cessna 402 realiza três vôos diários até Porvenir (SCFM), uma pequena cidade situada a 15 minutos de vôo do outro lado do Estreito de Magalhães. Já o Twin Otter opera diariamente para Puerto Williams (SCGZ), no extremo sul da Ilha da Terra do Fogo, no final da América do Sul.
É bastante comum ver aeronaves visitantes operando voos charters turísticos, nacionais, regionais e internacionais, além de missões científicas procedentes dos mais diversos pontos do planeta. Assim como o Brasil, muitos países como China, Uruguai, Rússia, Estados Unidos, Canadá, etc., utilizam o Aeroporto Pde. Ibanez como base para suas operações antárticas.
Importante ligação marítima entre o Atlântico e o Pacífico, até o início do século XX, o Estreito de Magalhães viu o nascimento e o desenvolvimento de Punta Arenas. Por ali passaram naus pilotadas por intrépidos e destemidos navegadores que ousavam singrar pelos revoltos mares do sul. Com o desenvolvimento cultural, novas tradições e costumes foram brotando no seio do povo, e uma que realmente chama a atenção do visitante é o patriotismo espontâneo da população local. Centenas (talvez milhares!) de bandeiras chilenas ornamentam prédios oficiais, praças, muitos carros particulares, coletivos, residências, lojas, enfim, o enfeitam o dia-a-dia do orgulhoso chileno. Interessante observar que em muitos lugares, ao lado da bandeira do Chile, está a bandeira azul e amarela da Região de Magalhães, evidenciando o amor e orgulho por sua terra e sua história.